Empresários compraram ‘pacote completo’ para entrar no ramo de táxi na Capital
Por André Farinha Publicado 13 de julho de 2017 às 09:30

Os depoimentos proferidos por empresários taxistas na Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Câmara Municipal apontam para a existência de uma espécie de pacote-conjunto, no qual o interessado em ingressar no ramo compra o veículo, mais os pacotes de benfeitorias e o ponto para trabalhar. Na oitiva de quarta-feira (12), as duas pessoas que participaram afirmaram que adquiriram os alvarás por meio deste processo.

 Foram ouvidos pelos vereadores da Comissão, os empresários Marco Aurélio Ferreira e Vanilde Robert. O primeiro é proprietário de dois alvarás de táxi e está no ramo desde 1973. A esposa dele também é proprietária de um alvará desde 1985. No depoimento, informou que a segunda permissão foi adquirida em 2011, através da compra do veículo e das benfeitorias do ponto como num ‘pacote’.

Essa situação já havia sido relatada anteriormente aos vereadores da Comissão por meio do empresário Elton de Matos, durante o primeiro depoimento da CPI no início da semana. Marco também disse não se lembrar o nome da pessoa que repassou o último alvará ou o valor que tenha pago na transação, mas garante que tudo foi declarado em Imposto de Renda.

A empresária Vanilde também é proprietário de dois alvarás e está ramo desde 1977. Conforme contou, o segundo alvará foi adquirido em 1991, a principio disse não lembrar o nome da pessoa de quem teria comprado o tal pacote (veículo-benfeitorias-ponto), mas depois informou se tratar de um amigo que precisou mudar-se da Capital. O sujeito era conhecido como ‘Zé Baiano’. “Quando iniciei, ele já era taxista. Acho que se chamava José dos Anjos, morava ali na Coronel Antonino”, recordou.

O presidente da Comissão, vereador Vinicius Siqueira (DEM), disse que a partir de agora o Apoio Legislativo irá tomar as devidas providências quanto aos empresários que não compareceram para prestar o depoimento. “Caso as ausências não sejam justificadas, a Comissão poderá solicitar que as testemunhas sejam ouvidas de maneira coercitiva”, explicou.

As próximas testemunhas serão ouvidas na sexta-feira (14) e as demais, na volta do recesso parlamentar, agendado para o início do mês de agosto.